O ano de 2025 foi para a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) um tempo de graça, discernimento e profundo compromisso com os povos amazônicos e com o cuidado da Casa Comum. No âmbito do Jubileu da Esperança, este ano foi vivido como um verdadeiro kairós: um momento oportuno para agradecer o caminho percorrido, ouvir os clamores da Amazônia e renovar a esperança que se transforma em ação.

Caminhar juntos: uma Igreja com rosto amazônico

Ao longo de 2025, a CEAMA continuou a consolidar-se como expressão de uma Igreja sinodal, em saída e encarnada nos territórios. O Encontro dos Bispos da Amazônia foi um marco fundamental nesta caminhada conjunta, permitindo aprofundar a comunhão episcopal, partilhar os desafios pastorais comuns e reafirmar o compromisso com uma Igreja próxima, profética e missionária.

Este encontro fortaleceu a convicção de que a Amazônia não é apenas um território a ser acompanhado, mas um sujeito eclesial vivo, cuja voz orienta as opções pastorais e as prioridades da missão.

Proximidade com as Igrejas locais: acompanhar, ouvir e servir

Uma das características mais significativas do ano foi a proximidade constante da CEAMA com as Igrejas locais da Amazônia. Por meio de visitas, encontros, processos formativos e espaços de diálogo, acompanhou-se a vida pastoral de dioceses, vicariatos, prelaturas e comunidades, reconhecendo suas dores, esperanças e resistências.

Este acompanhamento reafirma uma eclesiologia de proximidade, onde a CEAMA se entende não como uma estrutura distante, mas como um espaço de serviço, articulação e escuta ao ritmo dos territórios.

Ouvir para discernir: horizontes pastorais sinodais

Durante 2025, impulsionou-se com força o processo de escuta para a construção dos horizontes pastorais sinodais, em coerência com o caminho da Igreja universal e com o processo sinodal amazônico. A escuta das comunidades, agentes pastorais, povos indígenas, mulheres, jovens e defensores do território tornou-se um eixo transversal.

Este processo permitiu recolher clamores, sonhos e propostas, reconhecendo que o discernimento pastoral nasce da escuta profunda do Espírito que fala através do povo.

Diálogo com a Igreja universal: encontro com o Papa e os dicastérios

Um momento de especial relevância foi a visita ao Papa Leão XIV e o diálogo mantido com vários dicastérios da Santa Sé. Esses encontros fortaleceram a comunhão com a Igreja universal e permitiram compartilhar os desafios específicos da Amazônia, bem como as buscas pastorais e eclesiais que estão se gestando no território.

A escuta atenta e o apoio recebido reafirmaram o valor do caminho amazônico como contribuição profética para toda a Igreja.

Presença profética nos espaços globais: COP30

No contexto da COP30, a CEAMA elevou a voz da Amazônia nos espaços internacionais, reafirmando que a crise climática é também uma crise ética, social e espiritual. A participação e articulação em torno da COP30 expressaram o compromisso da Igreja amazônica com a justiça socioambiental, a defesa dos povos e o cuidado integral da Casa Comum.

A partir dessa presença profética, a CEAMA insistiu que não há soluções reais sem a participação dos povos amazônicos e sem uma mudança profunda dos modelos de desenvolvimento que ameaçam a vida.

Espiritualidade, formação e comunicação a serviço da missão

O ano de 2025 também foi marcado pelo fortalecimento dos processos de espiritualidade, formação e comunicação, entendidos como pilares de uma missão transformadora. Inspirados pelo magistério do Papa Francisco e por uma espiritualidade profundamente encarnada, esses espaços ajudaram a integrar fé, vida e compromisso socioambiental.

A comunicação foi vivida como uma dimensão essencial da missão: narrar a vida, visibilizar as resistências e anunciar a esperança que brota da Amazônia.

Uma esperança que se torna ação

Em todos esses marcos e processos, a CEAMA reafirmou que a esperança cristã não é passiva, mas ativa, encarnada e comprometida. Uma esperança que se expressa na escuta, no acompanhamento, na incidência pública e na construção de alianças com aqueles que defendem a vida.

Olhar para frente

Encerrar o ano de 2025 é, para a CEAMA, um ato de profunda gratidão e de renovada responsabilidade. Gratidão pelo caminho percorrido e pelas pessoas e comunidades que sustentam este processo eclesial. Responsabilidade de continuar caminhando juntos, com audácia evangélica, rumo a uma Amazônia viva, justa e cheia de esperança.

Confiantes de que o Espírito continua soprando desde a Amazônia, a CEAMA renova seu compromisso de cuidar, defender e amar esta terra sagrada e os povos que a habitam.