A poucos meses das eleições gerais de 2026 no Peru, o cardeal Pedro Barreto Jimeno SJ, arcebispo emérito de Huancayo e presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), apela à consciência ética do país para eleger autoridades comprometidas com o cuidado da vida, a justiça social e a proteção da Casa Comum, especialmente da Amazônia peruana.
O Peru chega a este novo processo eleitoral em um contexto complexo, marcado pelo enfraquecimento institucional, a expansão de economias ilegais, a insegurança cidadã, a corrupção estrutural e a grave ameaça que enfrentam as florestas e os povos amazônicos. No entanto, é também um momento de discernimento e esperança, que exige decisões responsáveis, informadas e eticamente firmes por parte daqueles que aspiram governar e de toda a cidadania.
A partir dessa perspectiva, e em sintonia com o magistério do Papa Francisco, o cardeal Barreto ressalta que o processo eleitoral não pode ser reduzido a uma disputa política, mas deve ser assumido como uma oportunidade histórica para optar pelo bem comum, pela defesa da vida e pelo respeito à dignidade humana e à natureza.
Nesse contexto, a Iniciativa Inter-religiosa para as Florestas Tropicais (IRI Peru) propõe cinco critérios éticos fundamentais para orientar o discernimento dos cidadãos na hora de escolher candidatos e candidatas:
Escolher aqueles que promovem uma Amazônia saudável e resiliente
Mais de 60% do território peruano é amazônico. Proteger a Amazônia, seus povos e culturas não é apenas uma tarefa ambiental, mas uma exigência de justiça social e responsabilidade planetária. Sem florestas vivas, não há futuro possível para o país nem para o mundo.
Escolher aqueles que respeitam as instituições e enfrentam a ilegalidade
A mineração ilegal, o desmatamento ilegal, o narcotráfico e outras economias criminosas destroem territórios e comunidades inteiras. São necessários líderes capazes de fortalecer o Estado de Direito, respeitar a lei e enfrentar com determinação as redes de corrupção e violência.
Escolher pessoas íntegras e honestas
A integridade ética deve ser uma condição mínima para exercer a liderança política. Não é aceitável normalizar a corrupção nem os antecedentes duvidosos daqueles que aspiram a liderar o país. A democracia requer transparência e coerência moral.
Escolher aqueles que promovem uma economia sustentável com a floresta em pé
O desenvolvimento não pode continuar se sustentando na destruição da natureza. O Peru precisa apostar em economias sustentáveis, negócios ecológicos e modelos produtivos que gerem bem-estar sem depredar os ecossistemas nem sacrificar as gerações futuras.
Escolher aqueles que defendem os povos indígenas e os defensores do meio ambiente
Uma democracia autêntica protege os mais vulneráveis. Os povos indígenas e os defensores ambientais cuidam da floresta e da vida, muitas vezes arriscando sua segurança. Sua defesa é uma obrigação ética, política e espiritual.
Sob o lema “Sem florestas não há vida”, o IRI Peru e a CEAMA lembram que sem água, sem alimentos, sem biodiversidade e sem culturas vivas, não há país possível. Por isso, o ano de 2026 não é um ano eleitoral qualquer, mas um momento decisivo para definir o rumo do Peru.
A CEAMA convida todos os cidadãos a viver este momento com maturidade, discernimento e coragem, escolhendo líderes que coloquem no centro a vida, a dignidade humana e o cuidado da Casa Comum, especialmente da Amazônia, coração espiritual e ecológico do país.