A Flor da Paixão: logotipo da VI Assembleia Geral da CEAMA

No caminho para a VI Assembleia Geral da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), a escolha do logotipo não é um gesto meramente estético, mas uma decisão profundamente simbólica, espiritual e pastoral. Nesse horizonte, a Flor da Paixão (Passiflora) foi assumida como elemento central da identidade visual da Assembleia, por sua riqueza amazônica, sua força teológica e sua capacidade de comunicar o espírito sinodal que anima este processo eclesial.

Um sinal que brota do território

A Passiflora é uma das expressões mais singulares da biodiversidade amazônica. Sua estrutura complexa, delicada e harmoniosa, bem como sua relação vital com polinizadores como abelhas carpinteiras e borboletas, tornam-na uma imagem viva de interdependência, fecundidade e vida compartilhada. Nela, a Amazônia se expressa como um território que acolhe, sustenta e gera vida quando se cuida da relação entre todos os seus atores.

Espiritualidade que une fé e vida

Historicamente, a Flor da Paixão tem sido associada à Paixão de Cristo, estabelecendo uma ponte natural entre a espiritualidade cristã e a experiência vital dos povos amazônicos. Suas formas evocam a entrega, o amor até o extremo e, ao mesmo tempo, a esperança pascal que brota da cruz.

Este símbolo dialoga de maneira especial com o lema bíblico que ilumina a Assembleia, tirado de Isaías 43,19: “Vou fazer uma coisa nova, que está brotando. Vocês não percebem?”.

Como a Passiflora, a novidade de Deus não irrompe de forma violenta, mas germina, floresce e transforma a partir de dentro a vida do território e da Igreja.

Uma catequese visual do caminho sinodal

A Passiflora só existe plenamente em relação:

• precisa do encontro com outros para ser fecundada;

• sua forma é projetada para acolher e hospedar;

• sua beleza surge da interação de múltiplos elementos.

Assim, a flor se torna uma catequese visual da sinodalidade, refletindo a identidade da CEAMA como uma Igreja que floresce quando escuta, discerne e caminha junto aos povos indígenas, comunidades locais, vida consagrada, leigos e pastores.

Do encontro ao fruto: dinâmica pastoral amazônica

A vida da Passiflora narra um processo profundamente próximo ao itinerário pastoral amazônico: brota após um tempo de maturação silenciosa, precisa do encontro para dar fruto e oferece abundância na forma de maracujá, sementes e refúgio para a vida que a rodeia. Esse dinamismo expressa os frutos esperados dos Horizontes Apostólicos Sinodais e da missão compartilhada que a CEAMA impulsiona na região.

Ecologia integral e cuidado que cura

A Pasiflora desempenha um papel fundamental nos ecossistemas amazônicos: abriga larvas de borboletas, protege redes ecológicas frágeis e traz benefícios reconhecidos para a saúde humana. Sua presença como símbolo reafirma o compromisso da Assembleia com a ecologia integral, a defesa do território e a construção de uma Igreja que acompanha, cuida e cura.

Identidade amazônica em expansão

Como trepadeira, a Passiflora cresce, se espalha, abraça estruturas e ocupa espaços vazios com criatividade e resiliência. Esse modo de existir reflete a missão da CEAMA: articular, vincular e unir territórios, fortalecendo redes eclesiais e sociais a serviço da vida plena na Amazônia.

Um tempo para florescer

A coincidência entre o tempo de floração da Pasiflora — entre setembro e maio — e a celebração da Assembleia em março de 2026 reforça a mensagem espiritual:

a Amazônia estará em tempo de florescer, e a CEAMA estará entrando em um ciclo de maturidade, abertura e novos frutos para a Igreja e os povos da Amazônia.

Um símbolo para comunicar vida e esperança

Do ponto de vista gráfico e comunicacional, a Passiflora oferece uma identidade visual potente e dinâmica: sua forma circular evoca o caminhar juntos, seus filamentos permitem múltiplas leituras simbólicas e sua paleta de cores expressa vida, celebração, missão e esperança.

Assim, a Flor da Paixão não representa apenas a VI Assembleia Geral da CEAMA, mas se torna um sinal profético: uma Igreja amazônica que floresce a partir do território, em comunhão, a serviço da vida e atenta à novidade que Deus faz brotar hoje.