De 16 a 18 de abril de 2026, na Reserva Indígena El Progreso, localizada em Leticia (Amazonas – Colômbia), realizou-se o Encontro Internacional Nação Magüta: Formação de Agentes Pastorais, uma experiência eclesial que reuniu participantes da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, reafirmando o compromisso com uma Igreja de rosto amazônico, inculturada e sinodal.

A iniciativa contou com a participação de membros da Diocese de Alto Solimões (Brasil), do Vicariato Apostólico de San José del Amazonas (Peru) e do Vicariato Apostólico de Leticia (Colômbia), impulsionando processos de formação a partir da espiritualidade dos povos originários e da evangelização em diálogo com a própria cultura.

Um encontro no coração da selva

No meio do território amazônico, onde o rio e a selva guardam a memória ancestral dos povos, homens e mulheres da Nação Magüta se reuniram para se ouvir, compartilhar experiências e fortalecer sua missão pastoral.

De diversas comunidades chegaram agentes pastorais que fizeram da fé um serviço concreto, da catequese uma palavra viva e do encontro comunitário uma forma de construir esperança.

Durante esses dias, a experiência foi marcada pelo símbolo de“remar juntos na mesma canoa”, expressão que reflete o caminho compartilhado entre povos, comunidades e Igreja para reconhecer a riqueza cultural, fortalecer as raízes identitárias e caminhar unidos na missão evangelizadora.

A Palavra de Deus encarnada na cultura

Um dos eixos centrais do encontro foi a formação bíblica e catequética, entendida como uma Palavra que se escuta, se medita e se torna vida no povo Magüta.

A reflexão pastoral destacou que a catequese na Amazônia não pode ser imposta de fora, mas dialogar profundamente com a selva, o rio, os símbolos, os ritmos comunitários e a sabedoria ancestral dos povos indígenas.

Assim, a evangelização se torna um processo vivo, próximo e transformador, capaz de anunciar o Evangelho a partir da realidade concreta dos territórios amazônicos.

Ferramentas para semear a fé no território

O encontro também permitiu compartilhar metodologias e ferramentas pastorais para fortalecer a vida comunitária, semeando a fé com criatividade e pedagogias nascidas do território.

Com gestos simples, escuta mútua e discernimento comunitário, os participantes renovaram sua vocação de serviço, chamados a continuar animando comunidades, acompanhando processos e celebrando a fé com profundo sentido.

Igreja viva no meio da Amazônia

A experiência concluiu-se como um sinal de esperança de uma Igreja que caminha com os povos originários, aprende com suas sabedorias e reconhece neles uma fonte de renovação espiritual e pastoral.

Da Nação Magüta ressoou uma mensagem que sintetiza o espírito do encontro: “Raízes da selva, leito do rio, Palavra viva em missão.”

A CEAMA celebra esses espaços que fortalecem uma Igreja samaritana, intercultural e profundamente enraizada na Amazônia, onde a vida, a fé e a esperança continuam brotando com força.