Povos indígenas: guardiões da memória, da vida e da Casa Comum – Juan Urañavi

Neste Dia Internacional dos Povos Indígenas, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) junta-se à celebração dos povos indígenas da Amazônia e de todo o mundo, reconhecendo neles uma história viva de resistência, sabedoria, espiritualidade e defesa da vida.

Em representação dos povos indígenas da Amazónia, Juan Urañavi, vice-presidente da CEAMA e líder indígena boliviano do povo guarayo, enviou uma mensagem de reconhecimento e esperança, destacando os princípios, valores, saberes e conhecimentos ancestrais que os povos indígenas têm conservado e transmitido de geração em geração.

«Destacamos os seus princípios, valores, saberes e conhecimentos ancestrais que mantêm até aos dias de hoje, especialmente no cuidado da Casa Comum», disse o Urañavi.

As suas palavras realçam uma realidade que está no cerne da missão da CEAMA: os povos indígenas não são só guardiões de um território, mas portadores de uma sabedoria que oferece caminhos para o cuidado da vida e da criação. As suas cosmovisões, as suas formas comunitárias de organização e a sua relação profunda com a terra, os rios, as florestas e os outros seres vivos constituem uma riqueza fundamental para a Amazónia e para toda a humanidade.

Uma Igreja que ouve e caminha com os povos

A presença dos povos indígenas ocupa um lugar central no caminho de uma Igreja com rosto amazónico. Para a CEAMA, caminhar ao lado deles significa reconhecer a sua dignidade, ouvir as suas vozes, valorizar os seus conhecimentos e acompanhar as suas lutas pela defesa dos seus territórios, culturas e direitos.

Nesse caminho insere-se também a eleição de Juan Urañavi como vice-presidente da CEAMA para o período 2026-2030, em representação dos povos indígenas. Líder indígena boliviano, de 63 anos e pertencente ao povo guarayo, o Urañavi traz para a direção da Conferência Eclesial a experiência e a voz dos povos originários, fortalecendo uma Igreja que procura ser cada vez mais sinodal, intercultural e empenhada na vida da Amazónia.

A sua presença expressa também uma convicção profunda: os povos indígenas devem ser protagonistas dos processos que procuram construir um futuro de esperança para a Amazónia, e não apenas destinatários de ações pastorais.

A sabedoria ancestral que cuida da vida

No meio dos grandes desafios que a Amazónia enfrenta — a desflorestação, a poluição dos rios, a expansão das atividades extrativas, o deslocamento de comunidades e as ameaças contra líderes e defensores dos territórios —, os povos indígenas continuam a mostrar que existem outras formas de se relacionar com a natureza.

A sua sabedoria ancestral nasce de uma relação profunda com o território e de uma compreensão da vida como uma realidade interligada. Nas suas comunidades, a terra não é simplesmente um recurso: é território de vida, memória, espiritualidade, identidade e futuro.

Por isso, nesta data, a CEAMA faz seu o apelo de Juan Urañavi para que os povos indígenas continuem a caminhar «com a mesma força e coragem que os caracterizam».

A celebração deste dia é, ao mesmo tempo, um convite a toda a Igreja e à sociedade para ouvirem a voz dos povos indígenas, aprenderem com os seus saberes e reconhecerem a sua contribuição indispensável para o cuidado da Casa Comum.

Da Amazónia, a CEAMA expressa a sua gratidão pela vida, pela resistência e pela esperança dos povos indígenas, e renova o seu compromisso de caminhar ao lado deles na defesa da dignidade humana, dos territórios, das culturas e de todas as formas de vida.

Feliz Dia Internacional dos Povos Indígenas!

Que a memória dos povos, a sua sabedoria ancestral e a sua força comunitária continuem a abrir caminhos de vida e esperança para a Amazónia e para toda a humanidade.