No Dia Internacional da Mulher Indígena, Patricia Gualinga destaca a luta das mulheres que, a partir de seus territórios e com sua própria voz, defendem a vida, os povos e a esperança das futuras gerações.
Todo dia 5 de setembro, o mundo comemora o Dia Internacional da Mulher Indígena, uma data que vai além de uma simples celebração. É um reconhecimento à luta histórica das mulheres que resistiram à invisibilização, à discriminação e a múltiplas formas de violência, enquanto defendem seus povos, seus territórios e a vida.
Para Patricia Gualinga, líder indígena amazônica, ex-vice-presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e membro do Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas, essa data representa um profundo reconhecimento àquelas que têm estado na vanguarda da defesa dos territórios e dos ecossistemas.
“É um reconhecimento à luta das mulheres que foram invisibilizadas; às mulheres líderes que estiveram no território defendendo esses espaços, defendendo esses ecossistemas e defendendo a integralidade”.
Uma luta que também habita no silêncio
O dia 5 de setembro não reconhece apenas as mulheres indígenas que ocupam espaços públicos ou são amplamente conhecidas. Também dá visibilidade àquelas que, a partir de suas comunidades e do dia a dia, trabalham silenciosamente para proteger os territórios dos povos indígenas e impedir que os ecossistemas sejam violados.
São mulheres que fazem advocacy a partir de seus próprios espaços, que se atrevem a falar com sua própria voz e a expressar seus pensamentos, seus sentimentos e sua realidade.
“Essa data também reconhece as mulheres que talvez não sejam tão visíveis, mas que estão em seus espaços fazendo advocacy”, afirma Gualinga.
A presença e a voz delas são fundamentais na defesa da Amazônia e dos povos indígenas. Uma defesa que não pode ser separada da proteção da vida, da dignidade humana e da integridade da criação.
Memória das mulheres que abriram caminho
A comemoração também é um exercício de memória. Patricia Gualinga lembra as líderes que vieram antes das gerações atuais e que, inclusive, deram a vida pra abrir caminhos de dignidade e resistência.
“É também uma homenagem às líderes que vieram antes de nós e que deram a vida pra que a gente pudesse seguir esse caminho”.
Hoje, cabe às novas gerações dar continuidade a essa jornada. Mas a responsabilidade não termina no presente: a luta das mulheres indígenas tem os olhos voltados para o futuro.
O desafio é abrir caminhos para que as novas gerações possam continuar participando, fazendo a diferença e protegendo a vida e os territórios.
Mulheres indígenas: uma esperança em meio ao desespero
Em um mundo marcado por profundas crises sociais, ambientais e humanas, as mulheres indígenas se levantam como portadoras de esperança.
Para Gualinga, a presença delas é indispensável num contexto em que muitas vezes a desesperança parece prevalecer.
“É importante que as mulheres indígenas estejam na linha de frente, lutando para que haja um mundo melhor, para que exista essa esperança que muitas vezes é negada, especialmente às mulheres indígenas”.
No entanto, essa esperança nasce em meio a uma luta cotidiana. As mulheres indígenas enfrentam discriminação, racismo, pobreza, maus-tratos, invisibilização e diversas formas de abuso.
A luta delas também busca garantir que as novas gerações não tenham que passar pelos mesmos sofrimentos.
Elas lutam para que suas filhas possam crescer em um mundo onde a participação delas não seja minimizada, onde a identidade delas não seja motivo de discriminação e onde as vozes delas sejam ouvidas e respeitadas.
Uma luta multifacetada
“A luta da mulher indígena é muito mais do que uma luta comum”, diz Patricia Gualinga.
É uma luta que enfrenta, ao mesmo tempo, diferentes formas de exclusão: a estigmatização, o racismo, a pobreza, a discriminação e, em muitos casos, os maus-tratos.
Mas, apesar dessas realidades, as mulheres indígenas continuam seguindo em frente, resistindo e transformando.
Por isso, este dia 5 de setembro deve ser visto como um apelo à consciência e ao compromisso.
Trata-se de lembrar que as mulheres indígenas estão aqui. Que têm uma voz, uma história, uma memória e um papel fundamental na construção do presente e do futuro.
“É um lembrete de que estamos aqui e continuaremos no caminho de lutar e transformar este mundo”, conclui Patricia Gualinga.
Neste Dia Internacional da Mulher Indígena, a CEAMA se une ao reconhecimento de todas as mulheres indígenas que, com a força de seus povos e a sabedoria de seus territórios, continuam defendendo a vida.
Mulheres que resistem. Mulheres que protegem. Mulheres que preservam a memória. Mulheres que semeiam esperança. Mulheres que continuam transformando o mundo.