II Assembleia Eclesial da Amazônia Peruana reafirma o caminho sinodal e os compromissos pela defesa da vida e dos territórios

A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) participou ativamente da II Assembleia Eclesial da Amazônia Peruana, um espaço de discernimento comunitário, escuta e projeção pastoral que reuniu durante três dias cerca de 90 participantes dos oito vicariatos amazônicos do Peru*, entre bispos, agentes pastorais e líderes indígenas.

*Vicariatos Apostólicos da Amazônia Peruana: San José del Amazonas, Iquitos, Yurimaguas, Requena, Jaén, Pucallpa, San Ramón, Puerto Maldonado.

Em representação da CEAMA, participou o Cardeal Pedro Barreto SJ, presidente da CEAMA, que animou o processo de reflexão e diálogo a partir da perspectiva de uma Igreja sinodal, com rosto amazônico e comprometida com a defesa integral da vida e da Casa Comum. Também estiveram presentes Monsenhor Martín Quijano SDB, bispo do Vicariato Apostólico de Pucallpa, e o padre Juan Huamán, do Vicariato Apostólico de Puerto Maldonado, delegados da Amazônia Peruana para a CEAMA.

A Assembleia reafirmou o caminho sinodal da Igreja na Amazônia, colocando no centro a escuta do clamor dos povos e da terra, em um contexto marcado pela crise climática, o avanço do extrativismo e a violação dos direitos dos povos indígenas, especialmente das mulheres, meninas e adolescentes. A partir desse horizonte, foi sublinhada a urgência de fortalecer alianças, acompanhar os processos de resistência e esperança e consolidar uma ação pastoral profética e articulada.

Um dos acordos centrais do encontro foi avançar para a construção participativa de um Plano Pastoral Intervicarial, como expressão concreta do caminho sinodal que vive a Igreja amazônica, em sintonia com os sonhos sociais, culturais, ecológicos e eclesiais de Querida Amazonia. Este plano buscará articular os esforços pastorais, formativos e de incidência dos vicariatos, promovendo uma Igreja em saída, próxima dos povos e comprometida com a justiça socioambiental.

Durante a Assembleia, também foram aprofundados temas-chave como o reconhecimento da água como direito, vida e sujeito, o acompanhamento pastoral e jurídico diante da mineração ilegal e outras ameaças aos territórios, a transmissão intercultural da fé, o protagonismo dos povos indígenas nos processos eclesiais e o caminho para o Rito Amazônico, entendido como um processo comunitário, sinodal e profundamente encarnado nas culturas amazônicas.

Da mesma forma, foi acordada a criação de uma Comissão Intervicária da Mulher, orientada a articular, fortalecer e acompanhar os processos que as mulheres amazônicas impulsionam nos territórios, reconhecendo seu papel fundamental no cuidado da vida, na defesa do território, na ação pastoral e na construção de uma Igreja mais justa e inclusiva.

Com sua participação na II Assembleia Eclesial da Amazônia Peruana, a CEAMA reafirma seu compromisso de caminhar junto aos povos amazônicos, promovendo uma Igreja que escuta, discerne e age a partir da sinodalidade, da interculturalidade e da ecologia integral, como sinal de esperança diante dos desafios que a Amazônia enfrenta hoje.