“Cristo se manifesta na Amazônia que resiste, que cuida e que sonha”
Todos os dias 6 de janeiro, a Igreja celebra a Epifania do Senhor, mistério da manifestação de Cristo a todos os povos. Na Amazônia, esta celebração adquire um rosto próprio: Cristo se revela hoje na vida concreta de seus povos, em sua espiritualidade ancestral, na defesa do território, na sabedoria que cuida da criação e na esperança que permanece viva mesmo em contextos de exclusão e ameaça.
Nesse horizonte, a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) convoca a viver o Dia de Oração pela Epifania do Senhor na Amazônia 2026, como um espaço privilegiado de comunhão, discernimento e compromisso eclesial. Esta iniciativa, iniciada de forma simples em 2025, consolida-se como um caminho espiritual compartilhado pela Igreja na Amazônia e por toda a Igreja universal.
A Epifania: um Deus que se manifesta no território e nos povos
Celebrar a Epifania em chave amazônica é reconhecer que Deus continua se manifestando na história concreta dos povos. Assim como os Magos seguiram a estrela para encontrar o Menino, hoje a Igreja é convidada a se deixar guiar pelos sinais do Espírito presentes na Amazônia: os rios que dão vida, as florestas que protegem a biodiversidade, as comunidades que resistem e as culturas que guardam uma profunda relação com o Criador.
A Epifania do Senhor na Amazônia nos convida a contemplar um Deus que se faz presente nas margens, que fala através do clamor da terra e dos pobres, e que convoca uma Igreja com rosto amazônico, sinodal e profético.
Guias de Oração e Celebrações: um caminho para viver a Epifania
Com o desejo de acompanhar as comunidades nesta Jornada, a CEAMA preparou um Guia de Oração e um Guia de Celebrações, pensados para serem vividos nos lares, nas comunidades, nas paróquias e nos territórios amazônicos.
Esses guias oferecem um itinerário espiritual que integra a Palavra de Deus, a oração comunitária, os sinais próprios da Amazônia e gestos concretos de compromisso. Estão disponíveis em espanhol, português e inglês, como expressão do caráter intercultural e universal desta proposta.
Três eixos que iluminam a fé e a vida
A Jornada de Oração articula-se em torno de três eixos que orientam a reflexão, a oração e a ação:
- A busca de Deus, que reconhece as múltiplas formas pelas quais os povos amazônicos expressam sua espiritualidade e sua relação com o mistério de Deus através da criação e da vida comunitária.
- A solidariedade e a hospitalidade, como expressão concreta do Evangelho vivido em gestos simples de proximidade, cuidado e serviço, especialmente para com os mais vulneráveis.
- O cuidado da criação, entendido como uma responsabilidade evangélica e um apelo urgente para proteger a Casa Comum, dom de Deus para toda a humanidade.
Esses eixos permitem que a Epifania não seja apenas celebrada, mas vivida como uma experiência transformadora de fé encarnada.
O gesto epifânico: uma fé que se torna caminho
Como sinal visível da Jornada, os guias propõem a Visita Epifânica Amazônica, um gesto concreto que expressa a manifestação de Cristo na vida cotidiana. Visitar um vizinho, compartilhar uma refeição tradicional, acompanhar uma família vulnerável, levar um café como sinal de proximidade ou navegar pelos rios para contemplar a criação são ações simples que tornam visível o Evangelho.
Esses gestos, quando compartilhados como testemunho comunitário, fortalecem os laços entre as Igrejas locais e expressam uma fé que se torna encontro, cuidado e esperança.
Uma Igreja que ora, caminha e sonha com a Amazônia
A Jornada de Oração pela Epifania do Senhor na Amazônia reforça o compromisso da Igreja com a evangelização inculturada, a sinodalidade e a defesa da vida. Além disso, busca consolidar-se como uma tradição anual nos nove países da região amazônica — Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa —, fortalecendo a articulação eclesial e a consciência de uma missão compartilhada.
Reconhecer a Epifania do Senhor na Amazônia é afirmar que Cristo continua se manifestando hoje nos povos que resistem, que cuidam e que sonham, e que a Igreja é chamada a caminhar ao lado deles, com humildade, esperança e compromisso, a serviço da vida, da justiça e da Casa Comum.