Primeiro Concurso Pan-Amazônico de Comunicação Popular: “Histórias que defendem a vida, os direitos e a diversidade na Amazônia”

No final do mês de setembro de 2025, a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) lançou a convocatória do Primeiro Concurso Pan-Amazônico de Comunicação Popular: “Histórias que defendem a vida, os direitos e a diversidade na Amazônia”, uma iniciativa realizada em colaboração com a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), a Confederação Latino-Americana de Religiosos (CLAR) e o Programa Universitário Amazônico (PUAM).

O concurso nasceu com o objetivo de promover a comunicação como uma ferramenta fundamental para acompanhar as lutas, visibilizar as realidades e fortalecer os processos de transformação social na Pan-Amazônia, reconhecendo o direito dos povos de narrar suas próprias histórias a partir de seus territórios, línguas e cosmovisões. A convocatória foi dirigida a comunicadores populares, jornalistas, educadores, coletivos e habitantes da região pan-amazônica, que participaram com produtos em áudio, texto e vídeo.

Temas que refletem as urgências do território

As propostas apresentadas abordaram diversas problemáticas e esperanças da Amazônia, organizadas nas seguintes linhas temáticas:

  • Direitos humanos e direitos da natureza, extrativismo, clima e saúde
  • Povos: indígenas, quilombolas, ribeirinhos, afrodescendentes, camponeses e comunidades urbanas
  • Participação cidadã
  • Educação: ecologia integral, conhecimentos ancestrais, espiritualidade e línguas
  • Eixos transversais: juventude e mulheres

A convocatória, válida entre os meses de outubro e novembro de 2025, contou com a participação de cerca de 60 pessoas provenientes de seis países pan-amazônicos: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Os temas mais abordados foram os relacionados a direitos, extrativismo, clima e saúde, evidenciando uma das principais prioridades e preocupações dos povos amazônicos. Além disso, o formato audiovisual se consolidou como o mais utilizado, reafirmando o poder do vídeo como linguagem para narrar, denunciar e visibilizar as realidades do território.

Vozes que narram a partir da vida e do território

Esta iniciativa teve um significado profundo para as comunidades participantes. Do Brasil, Élite Maria da Silva destacou que o concurso “é um dos espaços mais sensacionais que existe hoje… abre um caminho para que os povos originários, ribeirinhos, quilombolas e a juventude das margens contemos nossa história com nossa voz”.

Por sua vez, da Bolívia, Vanessa Alejo apontou que “são relevantes este tipo de convocatórias que geram espaços de encontro e diálogo a partir da escuta ativa, do respeito e da promoção da Amazônia como casa comum que devemos proteger e preservar”.

Um esforço eclesial para dar visibilidade à comunicação popular

Para a irmã María Inés Castellaro, secretária-geral da CLAR, o concurso foi especialmente valioso porque permitiu dar visibilidade à comunicação popular na Amazônia, destacando que “por meio dessas narrativas e experiências ligadas à defesa da vida, dos direitos humanos e da ecologia integral, foi possível conhecer um trabalho que muitas vezes é simples, silencioso e oculto”.

A CEAMA destacou que “este concurso não apenas promove a criatividade comunicativa, mas também afirma o direito dos povos amazônicos de contar sua própria história, de defender a vida, os direitos humanos, os direitos da natureza e a diversidade cultural a partir de suas próprias vozes, línguas e cosmovisões”.

Por sua vez, a área de comunicações do PUAM destacou que “os processos de comunicação orientados para o empoderamento comunitário são chamados a gerar mudanças, a incomodar, a provocar e a nos tirar dos espaços de conforto, convidando-nos a construir coletivamente processos de transformação social a partir da verdade e da busca constante pela justiça”.

Vencedores do Primeiro Concurso Pan-Amazônico de Comunicação Popular

Nesta primeira edição, os trabalhos vencedores por categoria foram:

Categoria Áudio

  • Vencedor: Rodolfo Huallpa Condori (Bolívia)
  • Título: “A prisão de Julio Lero: há justiça quando o sistema ignora a cultura?”

Categoria Escritos

  • Vencedora: Jorlenys Calé (Equador)
  • Título: “Da mata à kalliana: o tecido entre sementes e produção sustentável a partir de iniciativas de mulheres kichwas amazônicas de Pastaza”

Categoria Vídeo

  • Vencedor: José Francisco Olivo Perales (Venezuela)
  • Título: “Os Woutjuja no copoazú: a fruta exótica que pode salvar a Amazônia venezuelana”

Além disso, a REPAM concedeu reconhecimentos especiais a:

Categoria Áudio:

  • Segundo lugar: Álvaro Rommel Quito Ticona (Peru)
  • Terceiro lugar: Linhs Salinas Usquiano (Bolívia)

Categoria Escrita:

  • Segundo lugar: Vanessa Monteiro da Silva (Brasil)
  • Terceiro lugar: Carlos Alfredo Ponce Calderón (Colômbia)

Categoria Vídeo:

  • Segundo lugar (compartilhado): John Cardozo Moreno (Colômbia) e Hellen Lirtêz (Brasil)
  • Terceiro lugar: Dozemy Soledad Rivas Cutipa (Peru)

A partir da CEAMA, juntamente com a REPAM, a CLAR e a PUAM, agradecemos profundamente a todas as pessoas que participaram deste concurso e as encorajamos a continuar fortalecendo uma comunicação comprometida com a vida, a justiça, a dignidade dos povos e o cuidado da Casa Comum na Pan-Amazônia.