“Em conexão: construindo pontes” – Fórum da Juventude Amazônica

Com o lema “Em conexão: construindo pontes”, foi realizado em Manaus, Brasil, o Fórum da Juventude Amazônica, um espaço de encontro, escuta e construção coletiva que reuniu jovens de diferentes territórios amazônicos entre os dias 25 e 27 de setembro.

Em representação da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), por meio da Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA), participaram os jovens Maycol Coba e Maritza Caigua, pertencentes ao povo Waorani do Equador. Também acompanhou o processo Ana Gabriela Jiménez, coordenadora de Educação Intercultural Bilíngue (EIB) e de Comunicação da REIBA.

O encontro, organizado pela MAGIS Amazônia, propôs um caminho de escuta e diálogo no qual os jovens amazônicos foram reconhecidos como protagonistas de seus próprios processos e como atores fundamentais para a construção de novas formas de participação e articulação na região.

Ouvir as vozes dos jovens amazônicos

O primeiro dia foi marcado por um momento de abertura espiritual centrado na diversidade da Amazônia e no cuidado com a Casa Comum. Os elementos terra, água, fogo e ar acompanharam esse momento, como expressão da vida, dos territórios e da relação dos povos amazônicos com a criação.

Posteriormente, os participantes compartilharam palavras que expressavam as esperanças, lutas e desafios presentes em suas comunidades. Esse exercício permitiu reconhecer que, embora as realidades dos territórios sejam diversas, existem preocupações e sonhos comuns que unem as novas gerações da Amazônia.

A programação incluiu momentos de oração, trabalho em grupos, sessões plenárias, espaços de convívio, intercâmbio cultural e uma galeria de propostas. A metodologia buscou promover a participação ativa dos jovens e criar condições para que suas experiências e perspectivas fossem ouvidas.

Da realidade às propostas

Durante as mesas de trabalho, os jovens aprofundaram o diálogo a partir de cinco perguntas orientadoras:

  1. Qual é a nossa realidade? – Identificando os principais desafios, dificuldades e problemas dos territórios.
  2. Por que acreditamos que vivemos essa realidade? – Reconhecendo suas possíveis causas.
  3. O que podemos fazer para tentar mudar essa realidade? – Identificando esperanças e possibilidades de transformação.
  4. Como e com quem podemos trabalhar para mudá-la? – Reconhecendo pessoas, organizações, comunidades e instituições com as quais é possível articular esforços.
  5. Quais são nossas linhas de ação? – Traduzindo as reflexões em propostas concretas para o caminho da juventude amazônica.

Esse processo permitiu passar da identificação das problemáticas para a busca coletiva de alternativas, fortalecendo a perspectiva de que os jovens não são apenas destinatários de processos pastorais, educacionais ou sociais, mas sujeitos ativos capazes de propor, organizar-se e transformar seus territórios.

Maycol e Maritza: educação, identidade e participação

A participação de Maycol Coba e Maritza Caigua tem um significado especial no percurso da REIBA e da CEAMA. Ambos os jovens fazem parte do grupo de estudantes universitários que participam do módulo de formação em Espanhol como Segunda Língua, promovido pela REIBA.

A partir desse processo educacional, a participação no Fórum permitiu conectar a formação acadêmica às experiências concretas dos povos amazônicos, estabelecendo um diálogo entre educação, identidade cultural, juventude e território.

Sua presença como jovens Waorani do Equador permitiu, além disso, levar ao encontro a voz e as experiências de um povo indígena amazônico, contribuindo para o intercâmbio entre diferentes realidades e culturas presentes na região.

Para a REIBA, esses espaços representam uma oportunidade de continuar fortalecendo processos educacionais que reconheçam os saberes, as línguas, as culturas e as experiências dos povos amazônicos, especialmente das novas gerações.

Tecer pontes entre territórios e gerações

O Fórum também destacou a importância de fortalecer as redes entre os jovens amazônicos. Em uma região onde os rios conectam comunidades e territórios, o encontro propôs “tecer pontes” entre jovens, organizações, comunidades e aqueles que acompanham seus processos.

A participação de representantes de diferentes países e territórios permitiu compartilhar experiências e reconhecer desafios comuns relacionados à educação, à identidade cultural, à participação juvenil, ao cuidado da Casa Comum e à construção de oportunidades para as novas gerações.

Durante o encontro, também estiveram presentes pessoas ligadas ao acompanhamento da juventude, entre elas o Pe. Silas Silva, SJ, coordenador do Centro Apostólico de Manaus dos Jesuítas do Brasil e diretor do Centro Amazonas MAGIS; Dom Frei Samuel Ferreira de Lima, OFM, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus e referência para a juventude; o Pe. Rogério Mosimann, SJ, delegado da Preferência Apostólica Amazonas dos Jesuítas do Brasil; e o Pe. Edson Tomé, SJ, secretário de Juventude e Vocações dos Jesuítas do Brasil.

O encontro deu continuidade ao processo de escuta iniciado com o Pré-Fórum da Juventude Amazônica, aprofundando presencialmente o diálogo entre as diferentes experiências juvenis da região.

Uma juventude que participa e propõe

Para a CEAMA e a REIBA, a participação de Maycol Coba, Maritza Caigua e Ana Gabriela Jiménez neste espaço reafirma a importância de acompanhar processos nos quais os jovens amazônicos possam expressar sua voz, fortalecer suas capacidades, compartilhar seus conhecimentos e participar ativamente da construção do futuro de seus povos e territórios.

A experiência vivida em Manaus deixa como desafio continuar fortalecendo espaços de encontro e articulação entre os jovens dos diversos países da Pan-Amazônia, reconhecendo a diversidade cultural como uma riqueza e a educação como uma ferramenta para gerar novas oportunidades.

Da Amazônia, os jovens continuam a tecer pontes: entre povos, culturas, territórios, gerações e esperanças. A CEAMA, por meio da REIBA, continua acompanhando esses caminhos, convencida de que ouvir e fortalecer as novas gerações é também apostar em uma Amazônia com maior participação, identidade, justiça e esperança.