“A Soma dos Quintais das Mulheres da Amazônia”: teciendo espiritualidade ecológica e o cuidado com a Casa Comum

No âmbito dos processos de articulação e fortalecimento das mulheres da Amazônia, realizou-se no último fim de semana o encontro “A Soma dos Quintais das Mulheres da Amazônia”, uma iniciativa coordenada pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (SARES), que busca fortalecer o protagonismo das mulheres e criar espaços de cuidado, intercâmbio e organização coletiva.

Em representação da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), participou a Irmã Sônia Pinho de Matos, vice-presidente da organização para o período 2026–2030, que acompanhou esse espaço de diálogo e reflexão ao lado de mulheres de diferentes territórios e realidades amazônicas.

Cada mulher carrega consigo um “quintal”

A proposta de “Soma dos Quintais” parte de uma imagem profundamente ligada à vida amazônica: cada mulher carrega consigo um quintal, entendido como um espaço de vida, memória, saberes, afetos, plantas, histórias, práticas de cuidado e resistência.

Quando esses “quintais” se encontram, se reconhecem e se articulam, eles se somam e se transformam em uma força coletiva.

A partir dessa perspectiva, o encontro buscou valorizar as experiências e os conhecimentos que as mulheres constroem diariamente em suas comunidades e territórios, reconhecendo sua contribuição fundamental para a defesa da vida e para a construção de alternativas diante dos desafios sociais e ambientais da Amazônia.

Cuidado, saberes e protagonismo

Um dos eixos centrais da iniciativa é compreender o autocuidado e o cuidado coletivo como dimensões necessárias para a sustentabilidade dos processos organizacionais e de articulação das mulheres.

O encontro abriu espaços para compartilhar experiências, fortalecer laços e reconhecer os saberes tradicionais e populares que fazem parte da identidade dos povos amazônicos.

A proposta reúne mulheres de diferentes realidades: indígenas, ribeirinhas, negras, da periferia e urbanas, promovendo um diálogo intercultural e o reconhecimento da diversidade que caracteriza a Amazônia.

Essa diversidade não é entendida como uma barreira, mas como uma riqueza que permite ampliar as perspectivas e construir respostas coletivas diante das situações que afetam as mulheres e seus territórios.

Defender os corpos, os territórios e a vida

Outro dos aspectos abordados foi a necessidade de fortalecer estratégias coletivas para a defesa dos corpos, dos territórios, dos direitos e da vida.

As mulheres amazônicas desempenham um papel fundamental na defesa de suas comunidades e na proteção da Casa Comum. Suas experiências cotidianas permitem-lhes identificar de forma concreta os impactos das desigualdades sociais, da violência, das ameaças ambientais e das diferentes formas de violação de direitos que afetam os territórios.

Diante dessas realidades, a iniciativa busca fortalecer a capacidade de organização e de influência das mulheres, promovendo sua participação em espaços de decisão e elaboração de políticas, bem como ações voltadas para a promoção da justiça socioambiental.

Uma espiritualidade ligada à Casa Comum

A dimensão espiritual também ocupa um lugar importante na proposta. O encontro promove uma espiritualidade ecológica que reconhece a interdependência entre as pessoas, os povos e a natureza.

Essa perspectiva dialoga com o caminho que a Igreja na Amazônia vem trilhando a partir de uma opção pela ecologia integral e pelo acompanhamento dos povos que habitam e protegem esses territórios.

A participação da Irmã Sônia Pinho de Matos representa, nesse sentido, uma oportunidade para fortalecer os laços entre as experiências organizacionais das mulheres amazônicas e o caminho de uma Igreja que busca ouvir, acompanhar e reconhecer o protagonismo das mulheres na construção de uma Amazônia mais justa e sustentável.

Somando os “quintais” para transformar a realidade

“A Soma dos Quintais” propõe, por fim, passar do encontro à ação. A articulação entre mulheres permite compartilhar ferramentas, identificar desafios comuns e construir estratégias para responder coletivamente às realidades vividas nos territórios.

Para a CEAMA, acompanhar esses processos significa reconhecer que as mulheres são protagonistas fundamentais da vida amazônica e dos processos de transformação social, cultural, pastoral e ambiental que se desenvolvem na região.

A experiência reafirma a importância de continuar criando redes de escuta, cuidado, formação e advocacy, nas quais cada mulher possa contribuir com sua história e seus saberes e, ao mesmo tempo, encontrar nas demais companheiras a força para seguir em frente.

Pois quando os diferentes “quintais” se encontram, os saberes se multiplicam, os cuidados se fortalecem e a esperança se transforma em ação coletiva pela vida e pela Casa Comum.