A publicação reúne as reflexões e experiências do 14º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom), realizado em Manaus, Brasil, e propõe a comunicação como ferramenta de encontro, participação, articulação e transformação social nos territórios amazônicos.
A comunicação como caminho para ouvir os territórios, fortalecer as vozes dos povos e promover o cuidado com a Casa Comum é o eixo central do e-book “Comunicação e a Amazônia: reflexões sobre ecologia integral, transformação social e sustentabilidade justa”, uma publicação que reúne as principais reflexões e experiências do 14º º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom), realizado de 25 a 28 de setembro de 2025 em Manaus, Amazonas.
A obra, organizada por Ricardo Alvarenga e Osnilda Lima, reúne 24 capítulos elaborados por pesquisadores, comunicadores, jornalistas, agentes pastorais, educadores e pessoas ligadas a iniciativas comunitárias e socioambientais. O livro busca preservar a memória do encontro e, ao mesmo tempo, oferecer ferramentas para novas experiências de formação, comunicação e ação em prol dos povos e territórios da Amazônia.
Sob o tema “Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa”, o Muticom 2025 reuniu centenas de participantes para refletir sobre os desafios contemporâneos da comunicação e sua relação com a defesa da vida, a justiça socioambiental, a educação, a espiritualidade e o cuidado com a Casa Comum.
Três confluências para compreender, cuidar e transformar
O livro está organizado em três grandes confluências, uma estrutura inspirada na dinâmica dos rios amazônicos e na experiência coletiva vivida durante o encontro.
A primeira, “Confluência I – Compreender para transformar: fundamentos, direitos, territórios e memórias”, reúne contribuições sobre comunicação e transformação social, direito à informação e à comunicação, memória, justiça socioambiental e comunicação a partir dos territórios amazônicos.
A segunda, “Confluência II – Aprender a cuidar: educação, espiritualidade, bem-viver e saberes ancestrais”, aprofunda a dimensão educacional, espiritual, cultural e comunitária da comunicação. Os textos destacam a importância de reconhecer os saberes dos povos, aprender com os territórios e promover práticas de cuidado da Casa Comum.
Por fim, a “Confluência III – Fazer circular a palavra: rádio, redes, juventude e mobilização” apresenta experiências concretas de comunicação comunitária, rádio, redes digitais, formação de jovens, ativismo e mobilização pela justiça socioambiental.
Entre as experiências coletadas, destacam-se iniciativas relacionadas à Rede de Notícias da Amazônia, à comunicação radiofônica, ao ativismo digital, à formação de jovens e às campanhas socioambientais, demonstrando a diversidade de caminhos pelos quais a comunicação pode fortalecer processos comunitários e gerar participação.
Uma cartografia construída a partir das vozes dos participantes
Um dos elementos centrais da publicação é a “Cartografia das Confluências: vozes, aprendizados e compromissos coletivos dos participantes do Muticom”, elaborada a partir das reflexões desenvolvidas nos chamados Rios Amazônicos Temáticos.
A cartografia reúne o processo vivido pelos participantes por meio de quatro movimentos: Nascentes, Correntes, Travessias e Encontro das Águas.
Neles estão registrados os sentimentos e as motivações que impulsionaram o encontro, as descobertas decorrentes da escuta, os caminhos que se abrem para a ação e os compromissos construídos coletivamente.
A proposta recupera, assim, uma das imagens mais significativas do Muticom: os rios que confluem sem perder sua identidade e que, ao se encontrarem, geram novas possibilidades de vida e movimento.
Comunicar a partir dos territórios
A publicação apresenta uma compreensão da comunicação que vai além da transmissão de informações. Ao longo de suas páginas, comunicar surge como uma prática de escuta, encontro, cuidado, participação cidadã, formação, advocacy e transformação social.
Essa perspectiva adquire especial relevância na Amazônia, onde as comunidades, os povos indígenas, as organizações sociais, os agentes pastorais e os comunicadores enfrentam desafios relacionados à defesa dos territórios, à proteção da biodiversidade, à justiça socioambiental e à preservação das memórias e culturas amazônicas.
A partir dessa visão, a comunicação torna-se também um espaço para fortalecer as narrativas construídas a partir dos próprios territórios, reconhecer os saberes ancestrais e ampliar as vozes daqueles que, historicamente, tiveram menos espaço na mídia e nos debates públicos.
Para a Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), essa perspectiva dialoga com o desafio de continuar construindo uma Igreja com rosto amazônico, capaz de ouvir os territórios, reconhecer a diversidade de seus povos e acompanhar seus processos de defesa da vida e de cuidado da Casa Comum.
Uma memória que se torna ferramenta de formação
Mais do que um registro do Muticom 2025, “Comunicação e a Amazônia” busca tornar-se um recurso para comunicadores, jornalistas, agentes pastorais, educadores, pesquisadores, jovens, líderes comunitários, religiosas e religiosos e todas as pessoas comprometidas com uma comunicação a serviço da vida.
A publicação oferece conteúdos que podem ser utilizados em processos de formação, encontros comunitários, espaços pastorais, iniciativas educacionais e experiências de comunicação socioambiental, mantendo viva a memória de uma experiência construída a partir da diversidade de vozes e territórios.
O livro conclui com um convite para dar continuidade à jornada iniciada em Manaus: tornar a comunicação um espaço de encontro e diálogo, capaz de construir pontes entre pessoas, comunidades e territórios e de contribuir para a construção de uma sociedade mais fraterna, democrática e sustentável.
Assim como os rios amazônicos, as experiências reunidas nesta publicação nos lembram que cada voz tem sua própria identidade, mas que o encontro com outras vozes pode gerar uma corrente coletiva capaz de abrir novos caminhos para a defesa da vida e o cuidado de nossa Casa Comum.