Enquanto a comunidade de Gambettola, na região italiana da Emília-Romanha, comemora os cem anos de presença dos Missionários da Consolata, a experiência do padre Angelo Casadei mostra como a vocação missionária continua construindo pontes entre a Europa e a Amazônia colombiana.
Natural de Gambettola e missionário da Consolata há várias décadas, o padre Angelo acompanha há 21 anos as comunidades na Amazônia colombiana, onde atualmente desenvolve seu trabalho pastoral em Solano, Caquetá (Vicariato Apostólico de Puerto Leguízamo – Solano), um dos territórios amazônicos onde a Igreja continua caminhando ao lado dos povos e comunidades locais.
Por ocasião dessa comemoração centenária, o missionário compartilhou um depoimento em vídeo no qual relembra sua trajetória vocacional e missionária, evocando também memórias de seus anos de formação no seminário de Gambettola entre 1974 e 1978, ao lado de seus irmãos, o padre Gabriele Casadei e Tarcisio Casadei, além de outros jovens da região que compartilhavam o sonho da missão.
Um viveiro de vocações para o mundo
Ao refletir sobre o significado dos cem anos de presença dos Missionários da Consolata em Gambettola, o padre Angelo destacou o papel fundamental que esse lugar desempenhou na formação de gerações de missionários enviados a diferentes continentes.
“Daqui partiram missionários que deram e entregaram suas vidas pela proclamação do Reino de Deus”.
Segundo ele explicou, o seminário não só formou quem seguiu a vida consagrada, mas também deixou uma marca profunda em muitos leigos que, mesmo seguindo outros caminhos, mantiveram vivo seu compromisso com as missões e o apoio aos projetos evangelizadores do Instituto.
Um centro de animação missionária para a Igreja local
Casadei também destacou a importância de Gambettola como centro de animação missionária em colaboração com a Diocese de Cesena-Sarsina.
Ao longo dos anos, esse espaço promoveu a consciência missionária da Igreja local, incentivando o envio de padres fidei donum, a experiência missionária de jovens leigos e o acompanhamento de inúmeras iniciativas pastorais e solidárias.
“Alguns jovens leigos adquiriram experiência em nossas missões e hoje atuam como missionários comprometidos com a obra dos Missionários da Consolata”.
Essa dimensão missionária permitiu manter um vínculo permanente entre as comunidades italianas e os territórios onde a Consolata desenvolve seu serviço evangelizador.
Espiritualidade e proximidade com a Amazônia
Outro aspecto destacado pelo missionário é o papel que o Santuário da Consolata em Gambettola desempenha atualmente como local de espiritualidade, encontro e reconciliação para as comunidades locais.
Segundo ele, muitas pessoas participam regularmente das celebrações litúrgicas e encontram no santuário um espaço de acompanhamento espiritual, especialmente por meio do sacramento da reconciliação.
Da Amazônia colombiana, o padre Angelo também expressou sua gratidão ao povo de Gambettola e das localidades vizinhas pelo apoio constante às missões.
“Agradeço pessoalmente ao povo da minha cidade e arredores pela proximidade, pela oração e pela solidariedade que demonstraram para com este cantinho da Amazônia colombiana”.
Uma missão que continua
Depois de um século de presença dos Missionários da Consolata em Gambettola, a história continua sendo escrita por homens e mulheres que mantêm vivo o espírito missionário herdado das gerações anteriores.
Para o padre Angelo Casadei, a missão continua sendo um convite universal para construir fraternidade, justiça e paz, independentemente do lugar onde cada pessoa tenha sido chamada a servir.
“O importante, onde quer que estejamos, é caminhar rumo à construção do Reino de Deus, onde reinem a justiça e a paz”.
Suas palavras ressoam hoje do coração da Amazônia colombiana, lembrando que a missão não conhece fronteiras e que a comunhão entre os povos continua sendo um dos sinais mais visíveis do Evangelho vivido e compartilhado.