Como parte do caminho de preparação para o VII Congresso Missionário Americano (CAM7), que vai rolar no Brasil em 2029, as Obras Missionárias Pontifícias da América continuam promovendo espaços de encontro pra dar visibilidade ao testemunho de quem anuncia o Evangelho em diferentes territórios do continente.

No segundo encontro do Projeto de Visibilização dos Testemunhos da Missão Ad Gentes, realizado em 24 de junho de 2026, a comunidade do projeto “Igreja Argentina, a Amazônia é a sua missão” compartilhou sua experiência evangelizadora na Amazônia peruana, mostrando como a missão se fortalece quando é vivida na fraternidade, na interculturalidade e no serviço aos povos amazônicos.

Um caminho que nasce do CAM6

Durante a abertura do encontro, Ángel David, integrante da equipe organizadora e colaborador das Obras Missionárias Pontifícias, lembrou que essa iniciativa surgiu como um dos frutos do VI Congresso Missionário Americano (CAM6), realizado em Porto Rico em 2024.

Ele explicou que o objetivo é oferecer, mês a mês, um espaço onde os missionários possam compartilhar suas experiências de evangelização, fortalecendo a animação missionária no continente e preparando o caminho para o CAM7.

“Muitos missionários têm testemunhos profundamente evangelizadores, mas muitas vezes a gente nem conhece esses testemunhos. Esse projeto quer ser uma plataforma para dar visibilidade à riqueza dessas experiências”, destacou.

“Igreja Argentina, a Amazônia é a sua missão”

A apresentação do projeto ficou a cargo de Silvana Medina Cornú, integrante da Equipe Nacional das Obras Missionárias Pontifícias da Argentina.

Ela explicou que essa iniciativa surgiu como resposta ao apelo feito pelo Papa Francisco durante o Sínodo pela Amazônia e aos sonhos expressos na exortação Querida Amazônia, incentivando a Igreja argentina a assumir um compromisso concreto com a missão nos territórios amazônicos.

O projeto, apoiado pelas Obras Missionárias Pontifícias e pela Conferência Episcopal Argentina, começou a tomar forma em 2019 por meio de um processo de discernimento, sensibilização, formação e acompanhamento dos missionários enviados.

A missão está acontecendo agora na Amazônia peruana, onde uma equipe de padres, religiosas e leigos divide o dia a dia com as comunidades locais, em estreita colaboração com a Igreja da região.

Viver a missão a partir da comunidade

Um dos primeiros depoimentos foi o do Padre Gabriel Mora, padre da diocese de Neuquén (Argentina), que desde fevereiro deste ano faz parte da comunidade missionária estabelecida em Quimbiri, na selva peruana.

O missionário explicou que os primeiros meses foram dedicados a aprender sobre a cultura, conhecer o território e ter um contato próximo com as comunidades amazônicas.

“Estou muito contente, com muita alegria e muita vontade de compartilhar esse projeto comunitário. Não vim sozinho; viemos como comunidade missionária, e isso representa um grande desafio”, disse ele.

Para o padre, um dos maiores aprendizados foi descobrir a riqueza de viver a missão ao lado de outros missionários.

“Às vezes, nós, padres, somos poucos e trabalhamos sozinhos em nossas paróquias.

Pensar na missão em comunidade é uma riqueza, um desafio ao mesmo tempo, mas também faz muito bem às comunidades”, afirmou.

Gabriel Mora destacou que esse tempo na Amazônia representa apenas os primeiros passos de um processo que ele vive com entusiasmo e espírito de aprendizado, convencido de que a missão exige proximidade, escuta e uma profunda capacidade de caminhar ao lado dos povos.

Uma Igreja que aprende com a Amazônia

Os depoimentos compartilhados durante o encontro mostraram que a missão ad gentes na Amazônia não consiste apenas em levar o Evangelho, mas também em deixar-se evangelizar pelos povos, aprender com suas culturas e construir comunidades onde a fé seja vivida a partir da fraternidade e do cuidado com a Casa Comum.

A experiência do projeto “Igreja Argentina, a Amazônia é a sua missão” mostra uma Igreja em saída que responde ao chamado de fortalecer a presença missionária nos territórios amazônicos, promovendo uma evangelização marcada pela proximidade, pela comunhão e pelo trabalho compartilhado.

Nesse caminho rumo ao CAM7 Brasil 2029, iniciativas como esse itinerário de testemunhos buscam animar novas gerações de missionários e lembrar que a missão continua sendo uma vocação viva para toda a Igreja, especialmente onde os povos ainda esperam sinais concretos de esperança e fraternidade.