Novo sacerdote indígena fortalece o caminho de uma Igreja com rosto amazônico em Roraima

A Diocese de Roraima (Brasil) viveu um momento de profunda alegria e esperança com a ordenação sacerdotal de Djavan André da Silva, filho do povo indígena Macuxi, que se incorpora oficialmente ao presbitério diocesano como novo sacerdote a serviço da Igreja amazônica.

A celebração ocorreu no sábado, 31 de janeiro, na Catedral do Cristo Redentor, em Boa Vista, e foi presidida pelo bispo diocesano, Dom Evaristo Pascoal Spengler. Numerosos fiéis, provenientes de comunidades urbanas, rurais e de territórios indígenas, participaram com emoção deste acontecimento histórico para a Igreja que caminha em Roraima.

A ordenação foi marcada pelos ritos próprios do sacramento da Ordem: a apresentação e eleição do candidato, a Ladainha dos Santos, a imposição das mãos, a oração de ordenação e a unção das mãos com o Santo Crisma, sinais de uma vida dedicada ao serviço do Povo de Deus. A presença ativa das comunidades indígenas e seus símbolos culturais expressou a comunhão entre fé, cultura e missão.

Uma vocação nascida na terra e no povo

Em sua homilia, Dom Evaristo destacou que a ordenação de Djavan é um sinal de alegria e esperança para toda a Igreja amazônica, ressaltando que o sacerdócio é sempre iniciativa de Deus e chamado ao serviço próximo, humilde e fiel ao povo. Inspirado na imagem do Bom Pastor, o bispo exortou o novo sacerdote a viver um ministério marcado pelo cuidado dos mais vulneráveis, pela coragem profética e pela defesa da vida.

Ele também destacou que Djavan traz para o ministério sacerdotal a riqueza da cultura Macuxi, sua língua, seus símbolos e a memória viva de seu povo, como um dom para toda a Diocese e para uma Igreja que busca encarnar-se nos territórios.

Por sua vez, o novo sacerdote expressou sua gratidão e emoção, reconhecendo que sua vocação foi forjada na vida comunitária, na fé simples de sua família e na caminhada da Igreja em Roraima. Ele manifestou seu desejo de ser um sacerdote que escuta, acompanha e serve, comprometido com uma Igreja fraterna, intercultural e sinodal.

Sinal de uma Igreja com rosto indígena e amazônico

Nascido em 12 de abril de 1997 na Comunidade Indígena Maturuca, no Território Indígena Raposa Serra do Sol, Djavan André é fruto de um processo vocacional profundamente enraizado no território amazônico. Durante a celebração, ele recebeu homenagens de comunidades indígenas, que lhe ofereceram símbolos culturais como sinal de comunhão, afeto e reconhecimento.

Após sua ordenação, ele continuará sua missão pastoral na Zona Missionária Santa Rosa de Lima, dando continuidade ao serviço que já vinha realizando.

Para a CEAMA, esta ordenação é um sinal concreto do caminho rumo a uma Igreja com rosto amazônico e indígena, que reconhece, valoriza e promove as vocações nascidas nos povos originários, fortalecendo uma presença pastoral encarnada, profética e comprometida com a vida, a dignidade e a esperança na Amazônia.