A possível contaminação do rio Putumayo após o naufrágio de uma embarcação ocorrido no último dia 18 de setembro no setor de Nueva Montepa, na jurisdição de Puerto Leguízamo (Colômbia), tem gerado preocupação entre as comunidades indígenas e ribeirinhas que dependem desse rio para sua alimentação, transporte, atividades econômicas e vida cotidiana.
De acordo com informações preliminares divulgadas pela Prefeitura Provincial de Putumayo, o acidente teria provocado o derramamento de aproximadamente 3.000 galões de ACPM (diesel) e 15 galões de óleo no rio Putumayo. Diante dessa situação, as comunidades e as autoridades locais manifestaram sua preocupação com os possíveis impactos sobre a qualidade da água e os ecossistemas.
O rio Putumayo constitui um espaço fundamental para inúmeros povos e comunidades de ambos os lados da fronteira entre a Colômbia e o Peru. Em territórios como San Antonio del Estrecho e suas comunidades vizinhas, o rio representa uma fonte essencial de água, alimento, transporte e subsistência.
Por isso, diante do possível impacto, é fundamental dispor de informações técnicas que permitam determinar a real extensão do incidente e adotar oportunamente as medidas necessárias para proteger as populações e o ecossistema.
Ações de monitoramento e avaliação
Diante dos alertas recebidos das comunidades e autoridades locais, o Órgão de Avaliação e Fiscalização Ambiental (OEFA) do Peru realizou ações de avaliação em San Antonio del Estrecho. Essas ações incluíram inspeções em campo, coleta de amostras de água e monitoramento aéreo, além da compilação de informações fornecidas pelas autoridades e pela população local.
Por sua vez, a Prefeitura Provincial de Putumayo informou sobre a realização de amostragens de água e sedimentos, incluindo o riacho Sábalo.
Os resultados dessas avaliações serão importantes para determinar as condições do rio e estabelecer, com base em evidências técnicas, as medidas cabíveis para prevenir ou mitigar possíveis impactos.
Ouvir as comunidades e garantir o acesso à informação
Diante dessa situação, a Igreja na Amazônia une-se à preocupação expressa pelas comunidades e acompanha as ações voltadas para conhecer e responder a um eventual impacto no rio.
Nesse contexto, é necessário que o processo de avaliação avance com transparência, coordenação institucional e participação das populações diretamente envolvidas.
Entre as ações prioritárias estão:
- Continuar o monitoramento da qualidade da água, dos sedimentos e dos ecossistemas associados ao rio Putumayo.
- Comunicar de forma clara e oportuna os resultados das análises realizadas pelas instituições competentes.
- Informar e ouvir as comunidades durante as diferentes etapas do processo, garantindo que elas tenham conhecimento dos possíveis riscos e das medidas adotadas.
- Fortalecer a coordenação entre as autoridades da Colômbia e do Peru, levando em conta o caráter transfronteiriço do rio e a interdependência das comunidades que habitam suas margens.
- Adotar as medidas de proteção e resposta necessárias para salvaguardar a água, os ecossistemas e os meios de subsistência das populações afetadas.
O Putumayo, fonte de vida para os povos amazônicos
A situação volta a evidenciar a profunda relação que existe entre os povos amazônicos e os rios que atravessam seus territórios.
O Putumayo não é apenas uma via de comunicação: é fonte de água, alimento, biodiversidade, cultura e sustento para inúmeras comunidades indígenas e ribeirinhas.
A partir de uma perspectiva de ecologia integral, a proteção do rio implica também proteger a vida e a dignidade daqueles que dependem de suas águas. Ouvir a voz das comunidades, garantir informações transparentes e agir com responsabilidade diante de possíveis riscos são passos fundamentais para cuidar da Casa Comum.
A CEAMA continuará acompanhando, a partir de sua missão eclesial, as preocupações das comunidades amazônicas e dando visibilidade à necessidade de cuidar da água, proteger os territórios e defender a vida dos povos que habitam a Amazônia.
O Putumayo não é apenas um rio: é vida, território, alimento e caminho para os povos amazônicos. Cuidar dele é também cuidar da vida.