“A Amazônia nos une: uma Igreja que caminha, escuta e age” – Juan Urañavi Yeroqui na VI Assembleia Geral da CEAMA

No âmbito da Assembleia Geral da CEAMA, o delegado dos povos indígenas da Bolívia, Juan Urañavi Yeroqui, compartilhou sua experiência e reflexões sobre este espaço eclesial que reúne diversos atores comprometidos com a Amazônia.

Representante do povo guarayos, Urañavi destacou o profundo sentido de comunhão que se vive na Assembleia, onde se reúnem indígenas, leigos, religiosas, religiosos, presbíteros, bispos e representantes do Vaticano. “Estamos sentados em mesas redondas, compartilhando juntos, dialogando e trocando ideias sobre o cuidado de nossa Casa Comum e o acompanhamento dos povos amazônicos”, expressou.

Um caminho de Igreja sinodal

Um dos aspectos mais significativos dessa experiência, segundo o delegado boliviano, é a vivência concreta da sinodalidade. “Nos encontramos como uma família. Estamos em caminho como Igreja, caminhando juntos como um único corpo, em comunhão com nossos pastores e com o Papa como sinal de unidade”, afirmou.

Nesse contexto, a mensagem do Papa Leão XIV ressoou profundamente nos participantes. Para Urañavi, suas palavras transmitem proximidade e encorajamento: “Embora esteja fisicamente distante, nós o sentimos presente em nosso coração. Sua mensagem nos confirma que estamos no caminho certo”.

Compromisso pastoral com a Amazônia

A partir de sua experiência na Bolívia, o delegado destacou a importância de levar os frutos da Assembleia às igrejas locais. Em particular, destacou a recente aprovação de um plano pastoral em seu vicariato, que integra explicitamente o cuidado da Casa Comum.

“O desafio é que nossas paróquias e equipes pastorais não fiquem como espectadores diante das crises ambientais. Devemos estar presentes, acompanhar as comunidades afetadas por incêndios, inundações e outras situações, e agir concretamente em prol de nossos irmãos e da ecologia”, assinalou.

Aliança com os povos indígenas

Urañavi também enfatizou a necessidade de fortalecer a articulação entre a Igreja e as organizações indígenas. Nesse sentido, valorizou sua recente participação em espaços organizacionais do Chaco, do Oriente e da Amazônia boliviana, onde pôde ouvir de perto as aspirações e esperanças dos povos.

“Há uma oportunidade muito importante de caminharmos juntos, coordenarmos ações e construirmos respostas conjuntas a partir de nossas realidades”, afirmou, destacando a liderança emergente dentro das organizações indígenas do país.

Uma mensagem de esperança

Por fim, o delegado fez um apelo para que todas as jurisdições eclesiásticas assumam com determinação os desafios propostos pela CEAMA, integrando em sua ação pastoral o cuidado da Casa Comum e de seus habitantes.

Seu testemunho reflete o espírito desta Assembleia: uma Igreja que escuta, dialoga e caminha ao lado dos povos, especialmente os mais vulneráveis, na construção de um futuro mais justo, solidário e sustentável para a Amazônia.