A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) expressou sua profunda dor e proximidade espiritual com o povo hondurenho diante do massacre de 20 camponeses ocorrido na região do Baixo Aguán, em Honduras, um fato que mais uma vez evidencia as graves situações de violência, exclusão e impunidade que afetam as comunidades rurais da América Latina e do Caribe.
Por meio de um comunicado institucional de solidariedade pastoral, a CEAMA condenou veementemente toda forma de violência contra aqueles que defendem a vida, a terra e a dignidade humana, reafirmando o compromisso da Igreja com os povos que lutam por seus direitos e pela proteção de seus territórios.
“Como Igreja que caminha ao lado dos povos e ouve o clamor dos territórios, condenamos veementemente toda violência contra aqueles que defendem a vida, a terra e a dignidade humana”, afirma o comunicado.
A Conferência Eclesial manifestou ainda sua proximidade com as famílias das vítimas, as comunidades camponesas e a Igreja em Honduras, acompanhando sua dor e elevando uma oração por aqueles que hoje sofrem as consequências desta tragédia.
Um grito que interpela o continente
Para a CEAMA, o sangue derramado desses irmãos camponeses revela uma ferida profunda que continua marcando a América Latina e o Caribe: a persistência de estruturas de violência, exclusão e impunidade que atingem especialmente os setores mais pobres e vulneráveis.
A situação do Baixo Aguán soma-se aos múltiplos conflitos territoriais vividos por comunidades camponesas, indígenas e afrodescendentes em diferentes regiões do continente, onde a defesa da terra e dos bens comuns costuma se chocar com interesses econômicos, extrativistas e violentos.
Nesse contexto, a Igreja reafirma a urgência de promover caminhos de justiça, diálogo e proteção da vida humana e da Casa Comum.
Um apelo à justiça e à proteção das comunidades
A CEAMA exortou as autoridades competentes a investigar os fatos com transparência, garantir justiça às vítimas e fortalecer a proteção das comunidades rurais e daqueles que defendem os territórios.
Além disso, reiterou seu compromisso evangélico com a defesa dos direitos humanos, a dignidade dos povos e o cuidado integral da criação.
“A Amazônia e nosso continente não podem se acostumar com o sofrimento nem com a morte daqueles que semeiam esperança a partir dos territórios”, conclui o comunicado.
A partir da espiritualidade da ecologia integral e da opção preferencial pelos pobres, a Igreja que caminha na Amazônia continua a levantar sua voz diante de toda forma de violência que ameaça a vida dos povos e dos territórios.