Os seis Vicariatos Apostólicos da Amazônia do Equador consolidam sua participação na Conferência Eclesial da Amazônia e assumem o compromisso de colocar em prática os horizontes pastorais definidos pela VI Assembleia Geral da CEAMA.
A Igreja em peregrinação na Amazônia equatoriana deu um passo histórico em seu processo de comunhão, participação e missão com a realização da Primeira Assembleia Eclesial da Amazônia Equatoriana, que rolou de 29 de junho a 1º de julho de 2026 no Centro de Formação Pastoral Intipungo, do Vicariato Apostólico de Puyo.
Sob o lema “Algo novo está nascendo, vocês não percebem?” (Isaías 43,19), o encontro reuniu as delegações dos seis Vicariados Apostólicos amazônicos do Equador —Aguarico, Méndez, Napo, Puyo, San Miguel de Sucumbíos e Zamora— junto com convidados do Vicariato Apostólico de Esmeraldas, num espaço de escuta, discernimento e construção conjunta que reafirmou o compromisso de continuar consolidando uma Igreja com rosto amazônico.
A Assembleia teve como objetivo fortalecer o senso de pertencimento dos Vicariatos Apostólicos à Conferência Eclesial da Amazônia por meio da divulgação dos horizontes pastorais aprovados durante a VI Assembleia Geral da CEAMA, realizada em Bogotá, para facilitar sua incorporação nos planos pastorais de cada Igreja particular.
Uma Igreja que caminha unida a partir dos territórios
A Assembleia começou com a celebração da Eucaristia, presidida por Mons. Rafael Cob García, que convidou a renovar o compromisso de construir uma Igreja próxima aos povos amazônicos, defensora da vida e do cuidado da Casa Comum.
Depois, cada um dos Vicariatos Apostólicos apresentou sua realidade pastoral, compartilhando as esperanças, os desafios e as experiências que vivem em seus territórios. Bispos, padres, religiosas, religiosos, leigos e representantes dos povos e nacionalidades indígenas ofereceram um valioso panorama da riqueza e diversidade da Amazônia equatoriana.
A metodologia da Assembleia foi inspirada na Conversa no Espírito, promovendo processos de escuta mútua, discernimento comunitário e busca de consensos, seguindo o estilo sinodal impulsionado pela Igreja.
Aprofundar a identidade e a missão da CEAMA
Durante os dias de trabalho, os participantes aprofundaram o caminho percorrido pela Igreja amazônica desde a criação da REPAM, o Sínodo para a Amazônia e a publicação da exortação apostólica “Querida Amazônia”, até o nascimento da CEAMA como um órgão eclesial inovador a serviço das Igrejas particulares do território amazônico.
Dom Rafael Cob García apresentou a retrospectiva histórica que deu origem à Conferência Eclesial, destacando como esse processo representa uma resposta concreta ao chamado do Espírito para viver uma Igreja mais sinodal, missionária e intercultural.
Por sua vez, Dom Celmo Lazzari refletiu sobre o processo de apropriação da CEAMA nos territórios, ressaltando a importância de fortalecer esse órgão na vida cotidiana das Igrejas locais para responder aos desafios pastorais da Amazônia.
Mauricio López, coordenador do Programa Universitário Amazônico da CEAMA, aprofundou a identidade, a natureza, a estrutura, os objetivos e os estatutos da Conferência Eclesial, oferecendo elementos que ajudaram a entender o alcance dessa nova forma de viver a comunhão eclesial na Amazônia.
Marcelo Lemos, secretário executivo da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), participou virtualmente para apresentar a trajetória histórica da CEAMA, percorrendo o processo que marcou a caminhada eclesial da Amazônia desde a convocação do Sínodo para a Amazônia em 2017 até a nova etapa pastoral inaugurada após a VI Assembleia Geral da CEAMA (2026). Durante sua apresentação, ele destacou as quatro etapas que moldaram esse processo: o caminho sinodal (2017-2020), o nascimento da CEAMA (2020-2022), a consolidação institucional (2023-2024) e a nova etapa orientada pelos Horizontes Pastorais Sinodais 2026-2030, reafirmando que essa trajetória é fruto do discernimento, da comunhão e do serviço às Igrejas particulares da Amazônia.
A Assembleia também reservou um espaço específico para fortalecer a cultura do cuidado por meio de uma reflexão sobre a prevenção de abusos e a promoção de ambientes seguros dentro da missão evangelizadora.
Dar vida aos horizontes pastorais da CEAMA
Um dos momentos centrais do encontro foi dedicado à apresentação dos Horizontes e Prioridades Pastorais aprovados durante a VI Assembleia Geral da CEAMA.
A partir dessas diretrizes, as delegações trabalharam em grupos para discernir como assumi-las e incorporá-las no planejamento pastoral de cada Vicariato Apostólico, buscando responder a partir da realidade concreta dos povos amazônicos.
As conclusões mostraram importantes pontos em comum em relação à necessidade de fortalecer a evangelização com identidade amazônica, promover uma maior participação das comunidades, consolidar processos de formação, impulsionar o protagonismo dos povos indígenas e continuar articulando esforços entre os diferentes territórios.
Uma equipe para coordenar a CEAMA no Equador
Como um dos frutos mais significativos da Assembleia, cada Vicariato Apostólico indicou um representante para formar a equipe de coordenação da CEAMA.
Esse novo espaço terá a missão de dinamizar o processo da Conferência Eclesial em cada território, fortalecer a articulação entre os Vicariatos e acompanhar a implementação das prioridades pastorais definidas durante a Assembleia, consolidando uma rede de trabalho permanente a serviço da missão.
Mais um passo em direção a uma Igreja com rosto amazônico
A Primeira Assembleia Eclesial da Amazônia Equatoriana chegou ao fim reafirmando o compromisso de caminhar juntos como uma Igreja sinodal, intercultural e missionária, profundamente enraizada na realidade dos povos amazônicos.
O encontro expressou a vontade de continuar construindo uma Igreja que escuta, dialoga, aprende com os povos e anuncia o Evangelho a partir da defesa da vida, do cuidado com a Casa Comum e da promoção da dignidade de todas as pessoas.
Inspirados pela promessa do profeta Isaías — “Algo novo está nascendo, vocês não percebem?”
(Is 43,19) —, os participantes voltam para seus territórios convencidos de que a CEAMA continua sendo um sinal concreto da renovação eclesial que o Espírito suscita na Amazônia, fortalecendo a comunhão entre as Igrejas particulares e tornando possível uma presença cada vez mais próxima, profética e comprometida com os povos amazônicos.



