Encontro missionário na tríplice fronteira amazônica fortalece a sinodalidade e a esperança na região

A região transfronteiriça entreColômbia, Brasil e Peru voltou a ser palco de articulação, escuta e compromisso missionário com a realização do encontro semestral de missionários e missionárias que acompanham a vida dos povos amazônicos neste território marcado pela diversidade cultural, pela mobilidade humana e pelos desafios socioambientais.

O encontro foi realizado no último dia 28 de abril no Centro Educativo Marista de Tabatinga, reunindo cerca de 30 participantes provenientes de comunidades indígenas, ribeirinhas e urbanas da região fronteiriça. Apesar da chuva intensa que acompanhou todo o dia, a força da missão e o espírito de fraternidade animaram este espaço de reflexão e convivência.

Participaram leigos e leigas, religiosos e religiosas, representantes indígenas e agentes pastorais comprometidos com o caminho da Igreja amazônica nesta região onde as fronteiras geográficas não impedem a vida compartilhada dos povos.

Um espaço para fortalecer o caminho sinodal

O objetivo principal do encontro foi fortalecer a convivência e compartilhar sonhos, alegrias e desafios vividos neste território transfronteiriço, aprofundando o compromisso com uma Igreja sinodal, próxima e encarnada na realidade amazônica.

O dia incluiu momentos de oração, apresentações comunitárias e espaços de reflexão sobre os novos caminhos para a Igreja e a ecologia integral na Amazônia. Os participantes aprofundaram especialmente o tema: “Caminho sinodal na fronteira transfronteiriça amazônica: caminhos, características e sonhos”

A partir dessa perspectiva, o encontro buscou responder aos clamores atuais da Amazônia, promovendo uma escuta atenta das comunidades e fortalecendo a articulação pastoral no território.

Sete eixos para uma Igreja em saída

Inspirados pelo trabalho impulsionado pela Rede Eclesial Pan-amazônica (REPAM), os participantes refletiram em grupos e em plenária sobre sete temas fundamentais para a missão amazônica:

  1. De mãos dadas com os povos amazônicos.
  2. Amazônia e incidencia.
  3. Tecendo caminhos para a justiça socioambiental e o bem-viver.
  4. Igreja nas fronteiras.
  5. Jovens a serviço da Casa Comum.
  6. Mulheres em movimento.
  7. Rede Itinerante: tecendo redes missionárias para o território.

Esses espaços permitiram compartilhar experiências concretas de acompanhamento pastoral e discernir desafios comuns relacionados à defesa da vida, à proteção dos territórios e ao fortalecimento das comunidades amazônicas.

Nova equipe de coordenação para a missão transfronteiriça

Um dos momentos significativos do encontro foi a eleição da nova equipe de coordenação que acompanhará este processo de articulação missionária na região transfronteiriça.

A nova equipe ficou composta por:

  • Ferney Pereira Araujo, da Reserva Indígena Nazareth e da Paróquia Sagrada Família do Vicariato Apostólico de Leticia.
  • María Careca, da Reserva Indígena Nazareth e da Paróquia Sagrada Família
  • Marisol Recéndiz Garibay, pertencente às Irmãs Franciscanas de Jesus Crucificado, missionária em Caballo Cocha.

Além disso, a irmã Lizete Cunha, das Hermanitas da Imaculada Conceição, apresentou um relatório das atividades realizadas durante o último ano e se despediu do serviço de coordenação, recebendo o agradecimento do grupo por seu compromisso e dinamismo neste processo de articulação missionária.

Portadores de esperança na Amazônia

O encontro foi encerrado com um almoço fraterno e com o compromisso de continuar caminhando juntos a serviço dos povos amazônicos. Os participantes saíram animados e já planejando o próximo encontro, que será realizado de 8 a 10 de setembro em Caballo Cocha, no Peru.

Em meio aos desafios sociais, ecológicos e pastorais que a Amazônia enfrenta, esses espaços continuam sendo um sinal de esperança e uma expressão concreta de uma Igreja que caminha ao lado dos povos, escuta seus clamores e fortalece redes de solidariedade e missão.

São missionários e missionárias portadores de esperança, semeando fraternidade e cuidado com a vida no coração da Amazônia.