Na quarta-feira, 20 de maio, realizou-se o encontro “Sinodalidade Reconciliadora”, organizado pela Fundação para a Reconciliação, em um espaço de reflexão, discernimento e diálogo sobre os desafios da reconciliação na vida eclesial e social, bem como sua profunda relação com o caminho sinodal impulsionado pela Igreja universal.
Participaram do encontro representantes de diversas organizações eclesiais: Arquidiocese de Bogotá (Pastoral Afro e Vicariato de Evangelização), Fundação para a Reconciliação, REPAM – Equador, Rede Itinerante Amazônica, Confederação Latino-Americana de Religiosos – CLAR e a Conferência Eclesial da Amazônia – CEAMA.
Um dos eixos centrais do encontro foi reconhecer que “os conflitos devem ser colocados sobre a mesa e não debaixo dela”, entendendo que a reconciliação não significa ocultar as tensões, mas enfrentá-las a partir do discernimento, da escuta e da conversão comunitária.
Durante as reflexões, insistiu-se que“não é possível a sinodalidade sem a reconciliação”, retomando as intuições impulsionadas pelo pontificado do Papa Francisco e continuadas pelo Papa Leão XIV. A reconciliação foi apresentada como uma condição necessária para sanar a comunhão eclesial e fortalecer a participação e a corresponsabilidade dentro da missão da Igreja.
O padre Elías López lembrou que o Papa Leão XIV insistiu em uma “paz desarmada para dentro e desarmante para fora”, sinalizando que a construção da paz começa na interioridade e na capacidade de sanar as divisões internas. Nesse sentido, afirmou que a Igreja é chamada a se tornar um “hospital de campanha” para as feridas do mundo, especialmente diante das crescentes polarizações, fraturas sociais e violências.
A proposta de “Sinodalidade Reconciliadora” foi apresentada como um itinerário espiritual de conversão, inspirado na espiritualidade inaciana e na transformação de conflitos. Entre os principais elementos compartilhados estavam os chamados “seis pilares da reconciliação”: fonte de vida, humildade discernida, perdão recebido, perdão concedido, nova esperança e comunhão.
Além disso, aprofundou-se em ferramentas de discernimento e transformação comunitária, como o exame espiritual, a conversa no Espírito, o planejamento estratégico discernido, as redes de discernimento, a liderança adaptativa, a teoria U, a justiça restaurativa e a teoria da mudança.
Os participantes destacaram também a importância da escuta a partir do corpo, a criação de espaços seguros, o reconhecimento dos conflitos e a necessidade de construir roteiros comunitários para sanar as relações e fortalecer a comunhão.
A Conferência Eclesial da Amazônia valoriza esse tipo de processo que fortalece uma Igreja capaz de caminhar unida em meio à diversidade, enfrentando os conflitos a partir do Evangelho e promovendo uma cultura de reconciliação, escuta e esperança para os povos amazônicos e para toda a Igreja.



