Mulheres amazônicas: resistência que não desiste e esperança que transforma a Igreja – Ir. Laura Vicuña

No âmbito do Dia Internacional da Mulher, a Ir. Laura Vicuña, vice-presidente da CEAMA, compartilha uma profunda reflexão sobre o que significa ser mulher na Amazônia hoje: uma vocação de resistência, esperança e cuidado com a vida em um território marcado por múltiplas ameaças.

Ser mulher na Amazônia: voz que defende a vida

“Ser mulher na Amazônia é ser voz de resistência na defesa da existência e da coexistência em um bioma que está ameaçado. É ser voz de esperança que denuncia e grita alto que, apesar de tudo, a vida prevalece.”

Em meio à devastação ambiental e social, as mulheres amazônicas encarnam uma rebeldia profética que anuncia que quanto mais difícil é o tempo, mais forte deve ser a esperança, como costumava lembrar Pedro Casaldáliga.

A irmã Laura resume essa identidade em três palavras:

• Resistência que não desiste.

• Esperança, do verbo esperar.

• Cuidadoras da vida.

Diante dos projetos de morte, a força da vida

A Amazônia sofre hoje inúmeras ameaças: mineração extrativa, exploração madeireira, tráfico de pessoas, desmatamento, mercantilização dos rios, da terra e dos corpos. São verdadeiros “projetos de morte” que colocam em risco a biodiversidade e a dignidade dos povos.

Nesse cenário, as mulheres — indígenas, ribeirinhas, camponesas, afrodescendentes e urbanas — tornaram-se protagonistas da defesa do território e dos direitos. Com o dom mais precioso que carregam consigo — a força e a coragem na defesa da vida — elas sustentam processos comunitários, lideram organizações, acompanham seus povos e lutam pela justiça e pela paz.

Mensagem ao mundo: sementes de esperança

Do coração da Amazônia, as mulheres enviam uma mensagem clara ao mundo:

“Somos sementes de esperança em um mundo dilacerado pelas guerras e injustiças que assolam a humanidade. Somos terra, ar, floresta e água. Carregamos em nós a força da vida. Mantenhamos a confiança e a utopia de outro mundo possível, porque ninguém pode roubar-nos este sonho nem impedir-nos de sonhar.”

É um apelo para não ceder ao medo nem à violência e para manter a utopia como horizonte ético e espiritual.

Mensagem à Igreja: inclusão para uma verdadeira sinodalidade

A Irmã Laura Vicuña também destaca um desafio eclesial urgente: a plena inclusão das mulheres em todos os espaços da Igreja.

“A inclusão das mulheres em todos os espaços eclesiais é fundamental para a transformação da Igreja. Isso requer uma verdadeira conversão pastoral e sinodal que reconheça os carismas e ministérios que muitas mulheres já exercem, a partir da própria dignidade batismal.”

Entre os sonhos que muitas mulheres amazônicas compartilham estão:

• O reconhecimento explícito do serviço que já exercem na Igreja.

• Maior protagonismo na vida eclesial.

• Inclusão real nos espaços de decisão.

• A restauração do diaconato feminino como sinal de uma Igreja autenticamente sinodal, eclesial e ministerial.

Neste Dia Internacional da Mulher, a CEAMA reafirma seu compromisso com uma Igreja amazônica onde as mulheres sejam reconhecidas como sujeitos plenos da missão, guardiãs do território e portadoras de esperança.

Porque na Amazônia, quando uma mulher resiste, a vida floresce.