No coração da Amazônia colombiana, o Vicariato Apostólico de Puerto Leguízamo – Solano acolheu a Iniciação para novos missionários e missionárias da Amazônia 2026, um espaço de formação, espiritualidade e encontro realizado de 28 de abril a 5 de maio, organizado pelo Centro Amazônico de Pensamento Intercultural (CAPI).
Durante vários dias, homens e mulheres provenientes de diferentes países, congregações e experiências pastorais compartilharam um caminho de preparação missionária voltado para aprofundar a realidade amazônica, fortalecer o espírito sinodal e renovar o compromisso com os povos e territórios da Amazônia.
A Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) esteve presente nesse importante processo por meio de seu Secretário Executivo, Marcelo Lemos, que acompanhou as jornadas formativas e compartilhou com os participantes a experiência e a trajetória da CEAMA como fruto do Sínodo para a Amazônia.
Um espaço para conhecer e amar a Amazônia
A indução permitiu aos novos missionários e missionárias aproximarem-se da riqueza cultural, espiritual e social da Amazônia, bem como dos desafios vividos por seus povos e ecossistemas.
As jornadas começaram com momentos de oração inspirados nos quatro sonhos da Querida Amazônia: o sonho social, ecológico, cultural e eclesial. Esses momentos ajudaram a situar a missão a partir de uma espiritualidade profundamente conectada com a vida dos povos e o cuidado da Casa Comum.
Entre os temas abordados estavam a realidade da Amazônia, a localização geográfica e social dos territórios fronteiriços entre Equador, Peru e Colômbia, a espiritualidade amazônica, as espiritualidades dos povos ancestrais, o sonho ecológico promovido pelo Papa Francisco e o processo de construção de uma Igreja com rosto e coração amazônicos.
As reflexões foram acompanhadas por diversos agentes pastorais, religiosos e especialistas que compartilharam sua experiência missionária na região amazônica, promovendo um diálogo intercultural e uma escuta profunda das realidades do território.
Uma Igreja com rosto amazônico e sinodal
Um dos momentos significativos do encontro foi a apresentação sobre a CEAMA feita por Marcelo Lemos, que aprofundou o processo de articulação eclesial que a Amazônia vive e o desafio de construir uma Igreja cada vez mais sinodal, próxima e encarnada nas realidades dos povos amazônicos.
Da mesma forma, refletiu-se sobre o caminho aberto pelo Sínodo para a Amazônia e a importância de fortalecer redes eclesiais e pastorais que permitam responder aos desafios sociais, ambientais e espirituais presentes na região.
O encontro também incluiu espaços comunitários e experiências no território, como visitas a comunidades amazônicas e passeios por áreas ecológicas de Puerto Leguízamo, permitindo aos participantes entrar em contato direto com as dinâmicas culturais e ambientais da região.
Entre essas experiências, destacaram-se as visitas à missão Putumayo, no Peru; à comunidade de Soplin Vargas; ao pantanal de Taricaya; e à comunidade de Refugio, espaços que favoreceram o encontro com as comunidades locais e a compreensão da vida amazônica a partir da proximidade e da escuta.
A espiritualidade amazônica como caminho de missão
A indução foi marcada por uma forte dimensão espiritual e comunitária. Os participantes viveram momentos de oração, celebrações, espaços de mambeadero e dinâmicas de síntese e avaliação, fortalecendo uma espiritualidade missionária em diálogo com as culturas amazônicas.
As reflexões sobre as espiritualidades indígenas e o cuidado da Casa Comum ajudaram a compreender que a missão na Amazônia implica aprender a caminhar junto aos povos, ouvir os sinais da criação e reconhecer a presença de Deus nos territórios e nas culturas.
Nesse contexto, a formação de novos missionários e missionárias foi entendida como uma semente de esperança para a Igreja amazônica e para as comunidades que continuam defendendo a vida em meio a múltiplos desafios.
Semeando esperança na Amazônia
A participação da CEAMA nesta indução reafirmou o compromisso de continuar acompanhando processos formativos que fortaleçam uma Igreja samaritana, sinodal e intercultural na Amazônia.
O encontro deixou evidente que a missão amazônica continua sendo um chamado urgente para caminhar junto aos povos, defender a dignidade humana e cuidar da Casa Comum a partir de uma espiritualidade profundamente encarnada.
Formar missionários e missionárias para a Amazônia significou, mais uma vez, semear esperança em territórios onde a vida clama e onde Deus continua falando por meio dos povos, dos rios, da selva e das comunidades.


