Na Solenidade de Pentecostes, o presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e arcebispo de Manaus, o cardeal Leonardo Steiner, convidou a Igreja e a sociedade a se abrirem à ação transformadora do Espírito Santo, destacando que “Pentecostes é o tempo da consolação” e da construção da paz em meio a um mundo marcado pela violência, pelo medo e pelas divisões.
Durante sua reflexão, o cardeal lembrou que o primeiro anúncio de Jesus Ressuscitado foi: “A paz esteja com vocês”, uma saudação dirigida a discípulos cheios de medo e isolados, mas também uma palavra viva para a humanidade de hoje.
“Aqueles homens precisavam de uma saudação que os animasse, os elevasse, os transformasse e os libertasse: a paz. Essa paz que hoje também precisamos com tanta urgência”, expressou.
O presidente da CEAMA destacou que a paz não é apenas a ausência de guerra, mas a possibilidade de nos reconhecermos como irmãos e irmãs, dialogar respeitando as diferenças e sanar as múltiplas violências presentes na sociedade: a violência política, econômica, social e familiar.
O Espírito Santo, fonte de unidade e reconciliação
O cardeal Steiner enfatizou que a verdadeira paz só é possível por meio do Espírito Santo, que inspira caminhos de reconciliação, perdão e unidade.
“É necessário o Espírito. É necessária a suavidade, o sopro, a benevolência e a mansidão do Espírito. Ele ilumina nossas discussões, nos aproxima em nossos afetos e nos dá uma linguagem capaz de nos entender”, afirmou.
Além disso, destacou que o Espírito Santo “suaviza o coração” e ajuda a tornar possível o perdão, condição indispensável para recuperar a paz entre as pessoas, as famílias e as comunidades.
“Somente o perdão é capaz de nos devolver a paz”, lembrou.
Refletindo sobre o relato de Pentecostes no livro dos Atos dos Apóstolos, o arcebispo de Manaus explicou que o “vento forte” e as “línguas de fogo” simbolizam a força renovadora do Espírito que abre portas, liberta do medo e envia para anunciar o Evangelho sem receio.
“A Igreja é chamada a ser consoladora”
Inspirado também nos ensinamentos do Papa Francisco, o cardeal Leonardo Steiner destacou que a Igreja é chamada hoje a ser uma presença consoladora e misericordiosa, especialmente junto aos que sofrem.
“Devemos ser consoladores e consoladoras. Ser presença do amor, especialmente para os mais necessitados”, indicou.
Em sua mensagem, ele insistiu que o Pentecostes impulsiona a Igreja a viver um tempo de misericórdia, reconciliação e proximidade com os pobres, os marginalizados e os feridos da história.
“É o tempo da misericórdia, do perdão, da reconciliação e da paz. É o tempo do Paráclito”, afirmou.
Pentecostes na Arquidiocese de Manaus: uma celebração marcada pela reconciliação e pela solidariedade
A celebração de Pentecostes em Manaus foi acompanhada por um amplo gesto de reconciliação e solidariedade. Cerca de 100 sacerdotes participaram de jornadas de confissão para os fiéis antes da Eucaristia.
Além disso, milhares de pessoas responderam ao chamado da caridade por meio da doação de alimentos não perecíveis. Segundo a Cáritas Arquidiocesana de Manaus, foram arrecadadas 14,5 toneladas de alimentos, superando os números do ano anterior.
A Solenidade também foi amplamente transmitida pela mídia local, permitindo que a mensagem de esperança, unidade e consolo chegasse a inúmeras famílias.
Ao concluir sua reflexão, o presidente da CEAMA convidou todos os povos amazônicos e a Igreja universal a se deixarem guiar pelo Espírito Santo para anunciar a vida nova de Cristo Ressuscitado e construir comunidades marcadas pela fraternidade e pela paz.
“Sejamos guiados, iluminados e fortalecidos pelo mesmo Espírito que Jesus enviou. A Igreja nasceu assim: diversos, mas unidos pelo Espírito Santo”.