Venezuela: Fórum sobre a Laudato Si’ fortalece a articulação eclesial em prol da educação, da ecologia integral e da paz na Amazônia

Com esperança e espírito sinodal, representantes da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), a Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA), a Associação de Promoção da Educação Popular (APEP) e o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral participaram do fórum “Compromisso socioeducativo à luz da Laudato Si’”, realizado no âmbito da Semana Laudato Si’.

O encontro reuniu experiências, reflexões e propostas voltadas para fortalecer o compromisso da Igreja com a ecologia integral, a educação transformadora e a construção da paz, inspiradas pela encíclica do Papa Francisco.

Uma Igreja que escuta e caminha junto com os povos

O fórum contou com a participação de Cecilia Barja, coordenadora para a América Latina da Seção de Escuta e Diálogo do Dicasterio para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, que destacou que a missão da Igreja hoje passa por ouvir as comunidades e acompanhar seus processos a partir da realidade concreta dos territórios.

“Nosso mandato é promover, proteger e alcançar o desenvolvimento humano integral e uma vida digna para todos”, afirmou.

Barja lembrou que o Dicastério acompanha temas relacionados à justiça e à paz, direitos humanos, migração, economia, trabalho e cuidado da Casa Comum, sempre em diálogo com as Igrejas locais.

Além disso, ela insistiu que a ecologia integral proposta pela Laudato Si’ implica restaurar as relações consigo mesmo, com os outros, com a natureza e com Deus.

“Não haverá uma nova relação com a natureza se não houver um novo ser humano”, lembrou, citando a encíclica.

Educação e cidadania ecológica para transformar a realidade

A Dra. María Elena Fébrez Cordero apresentou uma reflexão profunda sobre os desafios socioambientais na América Latina e na Venezuela, ressaltando a necessidade de construir uma cidadania ecológica baseada na ética, na participação social e na sustentabilidade.

Durante sua intervenção, ela insistiu que a crise ambiental não pode ser compreendida isoladamente das dimensões políticas, sociais, econômicas e culturais.

“Não podemos falar de desenvolvimento sustentável sem solidariedade internacional”, afirmou.

Ela também destacou a importância de formar novas gerações capazes de assumir uma “ecologia integral” a partir da vida cotidiana, promovendo valores como responsabilidade, fraternidade, justiça e cuidado mútuo.

REIBA: educação intercultural a partir dos povos amazônicos

Um dos momentos mais significativos do fórum foi a participação da Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA), representada pela Irmã Marbelis Monroy, coordenadora geral, e Ana Gabriela Jiménez, coordenadora de Educação Intercultural Bilíngue.

As representantes compartilharam como a REIBA, vinculada à CEAMA e nascida como fruto do Sínodo para a Amazônia, impulsiona processos educacionais construídos em conjunto com os povos indígenas, respeitando suas línguas, culturas e saberes ancestrais.

“Não levamos as coisas já prontas; nós as construímos junto com os povos, ouvindo com atenção o que cada comunidade propõe e precisa”, explicou a Ir. Marbelis.

Entre as experiências compartilhadas, destacaram-se os calendários ecológicos indígenas, a recuperação de saberes ancestrais, as hortas escolares e comunitárias, bem como os processos de formação com jovens Waorani para fortalecer o uso do espanhol como segunda língua e defender seus territórios diante das ameaças extrativistas.

Ana Gabriela Jiménez destacou que a educação deve ir “do texto ao contexto”, respondendo às realidades concretas dos territórios amazônicos.

“A Amazônia não é apenas florestas e rios; são também os povos que a habitam e cuidam dela”, afirmou.

Educação popular e tecnologias verdes

O fórum também apresentou experiências concretas impulsionadas pela APEP na Venezuela, voltadas para o cuidado da Casa Comum por meio de projetos educacionais sustentáveis.

José Luis Andrades, delegado leigo da Venezuela para a CEAMA, destacou que o cuidado ambiental e o desenvolvimento humano estão profundamente ligados à construção da paz.

“O desenvolvimento é o novo nome da paz”, lembrou ele, retomando os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja.

Além disso, foram compartilhadas iniciativas como sistemas hidropônicos escolares, compostagem, hortas comunitárias, viveiros e projetos de energia solar desenvolvidos em centros educacionais, concebidos como espaços de formação integral e transformação social.

Caminhar juntos para cuidar da Amazônia

As trocas finais reafirmaram a importância de fortalecer as redes eclesiais e educacionais capazes de traduzir a Laudato Si’ em ações concretas.

O encontro deixou claro que a defesa da Amazônia e o cuidado da Casa Comum exigem uma Igreja sinodal, próxima dos povos, capaz de ouvir, aprender e construir caminhos coletivos de esperança.

Além de projetos isolados, o fórum mostrou como a articulação entre Igreja, comunidades, organizações e redes amazônicas se torna uma resposta concreta aos desafios socioambientais atuais, promovendo uma cultura de paz, justiça socioambiental e fraternidade universal.